Número total de visualizações de página

sábado, 26 de abril de 2014

A solidão


A solidão chega com a Primavera
Domar a vontade não é resistir.
Os pássaros fazem questão de relembrar
Que o meu coração não tem como florir

Esquecimento chega onda após onda
E o arrependimento é trazido pelo vento.
O frio apodera-se dos meus ossos,
E a loucura do meu pensamento.

A máquina que me mantém vivo
Traz-me agora sofrimento.
Se pudesse agora viajar no tempo
Não olhava a nenhum impedimento.

A solidão chega com a Primavera
Peço-te que me consigas ouvir.
Pode ser que um dia consigar perceber
Que afinal algo pode mesmo florir.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O ciclo

A ciclicidade transcendental da Natureza
revela-se numa serenidade assustadora.
O canto do vento nas folhagens despidas
traduz a diferença entre o pensar e o existir.

A Maquinaria, por seu lado vão,
acresenta ao mundo o senão.
Atingir um objectivo inexistente
é o rumo de toda a humanidade.

Sentimentos aumentam a fricção
da vida humana nos carris de pedra
que nos levam à destruição.

A bonança nasce então no mar,
trazida pelo ritmo das ondas,
que passaram mas vão voltar a chegar.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Ar

O Mondego já não brilha aqui,
com tanta luz a matar a paixão.
Sem estrelas, asteróides ou cometas
não é possível viver qualquer ilusão.

Sufoca-me o ar da cidade,
sinto-me observado demais.
Aqui as gentes guardam segredos
e não há alegria por ti.

Ar do campo é o que preciso.
Sonho que aqui algo mude,
e luto para essa realidade.
À noite tudo volta para me atormentar.

Mas sou eu quem tem que mudar,
o altar do barulho ao caminhar,
não me vai deixar descansar.
Volto então para a solidão.

sábado, 6 de abril de 2013

Blues

I feel my blues
like an eagle with no land to rest
And I sing my blues
to believe I have a nest.

To believe is like to land,
a safety island in my thoughts.
Marry mother nature is my plan
but those trees are nothing but plots.


I feel my blues
like an eagle with no land to rest
And I sing my blues
to believe I have a nest.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

1355

Caminhando de regresso a casa
passo pelo passado,
pelo teu carro estacionado no tempo,
pela saudade de ouvir uma palavra.

Nunca é tarde demais, nunca.
A música de um sonho só acaba
quando a magia se esgota.
E Coimbra não existe sem magia.

Tradição do final infeliz
que faz do Mondego um ribeiro,
chegou no início de Janeiro.

Aproxima-se o dia do fim
e não serei justo ou cruel,
sou só palavras que escrevo neste papel.

terça-feira, 26 de março de 2013

Neve de amor

É o quebrar da última pedra
do meu castelo de forças,
quando a vontade de voltar a viver
se prende no medo de reconstruir.

Ventos sombrios de Inverno
teimam em não desistir,
a luz de um novo florir
tem a preguiça a comandar o trenó.

As memórias de tempos passados
com um sentimento seguro,
fecham os olhos ao presente
e ao pensamento ausente.

Eu espero um milagre do céu,
que sobre neve caia culpa
e na avalanche sentida
se crie um novo olhar.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Vertigem

Vertigem dá lugar a desilusão
e fecha-se o coração.
Esfola quando são os outros
Arde quando vem dos nossos.

A mentira da vida
é o pronuncio da morte.
Sobriedade psicótica
julgo não existir.

Luz, dêem-lhes luz
chega de vinho nos pensamentos
chega de não sentir,
reine a lucidez!